Tempo de mudanças

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Filhos crescem e certamente esperamos que eles saibam cuidar das próprias vidas em certa idade.
O que se pode considerar certa idade ou a idade certa? Diferente dos hábitos e costumes americanos nossos filhos permanecem na casa dos pais durante a maior parte da vida, mesmo quando estão na faculdade. Muitos só saem ao casar, para formar um novo núcleo familiar.
Quando um filho adulto reconhece que esta na hora de cuidar de si  desejamos que ele seja feliz e isso nos deve bastar. A tal de síndrome do ninho vazio não deveria ser a sensação de não ser mais necessária. E se neste momento a sensação é de maior distanciamento, também deve ser o de perceber que é o momento de  mais liberdades e respeito à individualidade  para ambos, mães e filhos.
Os filhos têm uma vida para construir e nós mães temos muita vida para viver, mesmo em endereços diferentes, sem perda dos laços, eternos.

Quando nossos Filhos voam – Por Rubem Alves

“Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora. Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas. Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira…Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo…Existem muitos jeitos de voar. Até mesmo o voo dos filhos ocorre por etapas. O desmame, os primeiros passos, o primeiro dia na escola, a primeira dormida fora de casa, a primeira viagem…Desde o nascimento de nossos filhos temos a oportunidade de aprender sobre esse estranho movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar. Nem sempre percebemos que esses momentos tão singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício da liberdade. Mas chega um momento em que a realidade bate à porta e escancara novas verdades difíceis de encarar. É o grito da independência, a força da vida em movimento, o poder do tempo que tudo transforma.É quando nos damos conta de que nossos filhos cresceram e apesar de insistirmos em ocupar o lugar de destaque, eles sentem urgência de conquistar o mundo longe de nós. É chegado então o tempo de recolher nossas asas. Aprender a abraçar à distância, comemorar vitórias das quais não participamos diretamente, apoiar decisões que caminham para longe. Isso é amor. Muitas vezes, confundimos amor com dependência. Sentimos erroneamente que se nossos filhos voarem livres não nos amarão mais. Criamos situações desnecessárias para mostrar o quanto somos imprescindíveis. Fazemos questão de apontar alguma situação que demande um conselho ou uma orientação nossa, porque no fundo o que precisamos é sentir que ainda somos amados. Muitas vezes confundimos amor com segurança. Por excesso de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos. Impedimos que eles busquem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos. Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que impede-os de navegar nas ondas de seu próprio destino. Muitas vezes confundimos amor com apego. Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma. Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não cabem em nosso corpo os ventos da mudança. Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.Aprendo que a vida é feita de constantes mortes cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para uma nova frase. Aprendo que tudo passa menos o movimento. É nele que podemos pousar nosso descanso e nossa fé, porque ele é eterno. Aprendo que existe uma criança em mim que ao ver meus filhos crescidos, se assustam por não saber o que fazer. Mas é muito melhor ser livre do que imprescindível. Aprendo que é preciso ter coragem para voar e deixar voar. E não há estrada mais bela do que essa.”


Nota: como encontrei o texto na internet não consegui identificar em que livro ou veículo  foi publicado, nem mesmo no site oficial do autor. http://rubemalves.com.br/site/
Credito imagem Ruth Gwily
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O romance policial de Agatha Christie – o destino dos assassinos

 

Apaixonada por livros de mistério, pelos romances policiais de Agatha Christie desde os tempos do Clube do Livro, tive a oportunidade de assistir ao curso ministrado na ECA – Escola de Comunicações e Artes, em 2015, para o qual escrevi o texto abaixo:

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O DESTINO DOS ASSASSINOS NOS ROMANCES DE AGATHA CRHISTIE: punição e castigo.

 

Introdução

Apesar de não ser da aristocracia, Agatha Christie, educada no período Eduardiano e vivendo na Inglaterra pós-vitoriana de estrutura social rígida e estreitos valores morais reflete esses mesmos valores nos seus romances: seus detetives mais do que desvendar o crime chegam a estabelecer punições para criminosos pertencentes a essa mesma sociedade aristocrática, que visem não abalar a estrutura social, onde o importante é a valorização da nobreza e do sobrenome e restabeleçam a ordem das coisas antes do assassinato para que a vida volte ao normal.

Os criminosos raramente pertenciam ao pessoal doméstico, sendo geralmente aristocratas, nobres ou profissionais de relevância na sociedade, como médicos, oficiais do exército, que devido à rígida moral da época, não poderiam fugir à punição ainda que moral.

Alguns dos destinos dos assassinos, no entanto não eram a detenção, a exposição à sociedade. O suicídio foi uma das saídas mais honrosas encontradas nos romances de Agatha Christie, abaixo comentados.

Desenvolvimento

É correto que uma pessoa cometa um assassinato e escape da condenação pela Justiça do Estado? Em alguns dos romances policiais de Agatha Christie o assassino é protegido e acobertado por alguém que toma o seu lugar, confessando ou até mesmo impedindo que o crime ou sua identidade sejam revelados. Em outros, são levados à autopunição, tirando a própria vida.

O Assassinato de Roger Ackroyd (1925)

O detetive Hercule Poirot conta com a ajuda do Doutor Sheppard (personagem narrador da história) para solucionar o mistério do assassinato de Roger Ackroyd, morto em sua biblioteca com uma adaga, para impedi-lo de descobrir quem chantageara a Sra. Ferrrars, com quem pretendia se casar, a ponto de fazê-la cometer suicídio.

No capítulo 23 Poirot começa a arrumar o palco para a reunião com os envolvidos onde o mistério será revelado e o assassino desmascarado. Dr Sheppard é sutilmente questionado sobre suas impressões, sua participação e até a importância de seus registros, que a exemplo do Cap. Hastings, ele mantinha durante a investigação ao lado de Poirot.

Criada a tensão e terminada a reunião, Poirot conduz o Dr Sheppard ao final honroso, que é o suicídio, dando a ele tempo para finalizar seus registros antes de comunicar ao inspetor Raglan.

Nota-se que toda a tensão da descoberta, da ação da polícia, da prisão, do julgamento, da exposição pública fica assim minimizada, já que o assassino, morto pelas próprias mãos já teria sido punido.

A Casa Torta (1948)

Aristide Leonides morre por uma injeção letal e a suspeita recai sobre a jovem viúva, muitos anos mais nova que o marido.

As investigações são conduzidas pelo inspetor Taverner que tem como coadjuvante o narrador, Charles Hayward, amigo de Sophia Leonides, neta de Aristide.

Josephine, neta mais nova de Aristide, acompanhando em paralelo as investigações segue revelando “segredos” e indicando “pistas”. Outra morte acontece (a Babá) e Josephine é considerada o alvo do assassinato por envenenamento e Charles decide protege-la.  Buscando ser o centro das atenções anota em um caderninho preto suas ações e é esse caderno encontrado que revela a verdadeira mente perturbada da menina, a assassina.

A cunhada de Leonides, Edith de Haviland, suspeitando e finalmente descobrindo a verdade sobre Josephine, assume a culpa. Deixa dois envelopes na casa: uma carta para o inspetor Taverner onde confessa ter matado o cunhado e um segundo envelope endereçado a Charles com o caderninho preto de Josephine onde na primeira página se lê: Hoje matei meu avô.

Provocando um acidente de carro Edith morre ao lado da sobrinha, que assim privada da vida não terá que prestar contas à justiça terrena e nem será condenada a um futuro de isolamento em entidades de saúde e sanatórios por longos anos.

 Poirot perde uma cliente (1937)

Num fim de semana em que a família da Srta. Arundell está reunida na propriedade acontece um estranho acidente em que ela cai da escada no meio da noite. Todos culpam seu cachorro Bob que teria deixado uma bola no alto da escada.

Ela sobrevive e passa a suspeitar que esteja em perigo e escreve a Poirot. Quando dois meses depois ele recebe a carta, a Srta. Arundell já está morta e aparentemente de causas naturais.

Poirot passa a investigar e descobre que a queda foi a primeira tentativa de assassinato que deu errado e fez o assassino agir novamente.

Todos são suspeitos, as duas sobrinhas, o sobrinho, o marido estrangeiro da sobrinha e a governanta, mas friamente Poirot conduz o encerramento do caso, convencendo e orientando pessoalmente a culpada – Sra. Anabela Tanios ao fim honroso do suicídio, aqui tomado como overdose acidental.

Sem exposição, sem escândalo para a sociedade, para poupar aos filhos e ao marido a verdade.

Assassinato no Expresso Oriente (1933)

Numa viagem do Expresso do Oriente um dos passageiros, Mr. Ratchett, é encontrado morto com múltiplas facadas. Como não havia possibilidade do assassino ter deixado o trem todos são suspeitos. Hercule Poirot assume a investigação e  desvenda a trama ao  descobrir a verdadeira identidade de Ratchett, um criminoso responsável pela morte de uma criança da família Armstrong.

Assim, conforme os padrões éticos e morais dos passageiros e do próprio Poirot, o assassinato de Ratchett é aceitável. Quando o crime for hediondo e pelo menos 12 pessoas, o mesmo número de jurados num tribunal,  concordarem  que  o acusado é o criminoso, então é aceitável condená-lo à morte  ou matá-lo. Poirot e os personagens do romance tomam a morte de Ratchett como justa.

Um passe de mágica (1952)

Quando Miss Marple  reencontra Ruth (Miss Marple e as irmãs Ruth e Carrie Louise são amigas  desde os tempos do colégio ) e esta compartilha seus temores de que  Carrie estaria correndo perigo na mansão da família,  que agora abriga um centro de reabilitação para jovens delinquentes, decide ajudar.

Quando mortes acontecem em Stonygates é Miss Marple com sua perspicácia e astúcia quem vai juntando as peças e evita que sua amiga seja a próxima vítima.

Lewis Serracold, o atual marido de Carrie Louise na administração do centro de reabilitação manipulava os fundos tendo como cumplice seu filho Edgar Lawson, que comete os crimes de assassinato.

E no fim Lewis Serracold sacrifica a própria vida pelo filho, num desenlace que poderia ser considerado acidente por afogamento e que o livra da exposição à sociedade.

 

Conclusão

Nas investigações o objetivo maior dos detetives é sempre descobrir a verdade e que através dela a justiça seja feita, o culpado condenado e a vitima. A ordem estaria então restituída e a vida voltaria à normalidade

E como a lei poderia ser burlada e o criminoso se safar da condenação se tivesse conexões e dinheiro, entram em cena os valores morais e éticos da autora e é valido o recurso da punição e castigo ainda que não conduzidos por um júri e juiz.

USP Escola de Comunicações e Artes

Departamento de Jornalismo e Editoração
Disciplina: CJE-0650 – O Romance policial de Agatha Christie
Prof. Jean Pierre Chauvin
Aluno-ouvinte: Ana Maria Afonso
Novembro 2015

 

 

Pobre Machado de Assis

Você já leu Machado de Assis? Sabe à qual escola literária ele pertenceu?
Então não compartilhe frases tipo auto-ajuda creditadas a ele pois ao invés de contribuir com a cultura, isso presta um desserviço, sempre em favor da ignorância.

Falso Machado

“Uma coisa é citar versos, outra é crer neles.”
Em “Memorial de Aires” (1908)

“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”
Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881)

“Purgatório é uma casa de penhores, que empresta sobre todas as virtudes, a juro alto e prazo curto.”
Em “Dom Casmurro” (1899)

Fonte:  – Leia frases do escritor Machado de Assis por temas Folha online – 29/9/2008
“Machado de A a X – Um Dicionário de Citações”, de Lucia Leite Ribeiro Prado Lopes  e “Pensamentos e Reflexões de Machado de Assis”, de Gentil de Andrade.

Dia da Língua Nacional

 

O dia 21 de maio é o dia da língua  nacional  (não consegui descobrir a origem.  Alguém sabe?).
Vocês assim como eu, ainda estão escrevendo pelas normas anteriores ao acordo de unificação da língua portuguesa?  Eu pessoalmente estou perdida, ora sigo as normas de 1971 ora as de 2009.
Converso com pessoas comuns, escritores, jornalistas, pesquisadores e todos estão insatisfeitos. É uma mudança não vejo como  lógica e necessária, mesmo com o argumento de que a unificação auxiliará a inserção dos países que falam a língua portuguesa  na comunidade das nações desenvolvidas.

Tenho formação em letras ( linguística) e aprendi que  o idioma representa um povo, sua cultura, e que  sofre  mudanças evolutivas que o diferencia e torna único.

Manter as várias pronúncias e unificar a escrita facilita ou complica mais a vida de quem? Parece que somente a vida das editoras, que além de lucrarem  com a  reimpressão de  gramáticas e dicionários, podem distribuir livros para todos os países de lingua portuguesa com os custos de uma  edição …. e olha que dizem que o livro tal como é hoje vai desaparecer.

Países  que falam português
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é composta por oito países: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Imagem: HowStuffWorks

Fã de Jane Austen

Eu só havia lido partes de Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice) nas aulas de inglês.  Isso mudou após  ter participado do  Acta Media 6 ( Simpósio e Colaboratório) no SESC Pinheiros, São Paulo,  painel sobre a autoria  digital feminina –   a produção  de  blogs, as  blogueiras e as  escritoras do início da era moderna.

Passei a pesquisar sobre  o tema  e chegar à Jane Austen foi  inevitável. Iniciei a leitura de seus livros com outro ânimo e tornei-me fã da autora.

Jane Austen (16 de Dezembro de 1775 – 28 de Julho de 1817) foi uma escritora inglesa, considerada como a segunda figura mais importante da literatura inglesa depois de Shakespeare. [Biografia]   (Fonte Pensador. Info)

 Para saber mais sobre Jane Austen

Jane Austen em Português  e   http://austenprose.com/

Se já conhece seus romances ( e se também assistiu às versões para o cinema)  que tal descobrir com qual heroína você se parece?

Clique na imagem e responda ao Quiz

 

Imagem: Capa edição Abril, Orgulho e Preconceito, ano não identificado