Os mesmos tipos ou os mesmos estereótipos

 

Há mais ou menos 15 anos não assistia novelas. Por desinteresse, por ter mais o que fazer. Passei à  margem de modismos e ondas televisivas, pude aceitar compromissos na hora da novela e não atormentei ninguém repetindo inshahalah! e coisas tais. Porém por desfastio, começei a assistir Caminho das Indias, me enganado que seria apenas pelas cenas onde as cidades da Índia  resplandeciam em azul, pelas cores das ruas, por um ou dois atores consagrados.

Dai, quando quis tomar pé da situação, a trama tão previsível é que estava pegando-me pelo pé, pela mão, me prendendo no sofá. Não pude deixar o hábito. Não me entreguei totalmente, não adotei o vocabulário dos aficcionados: are baba, tic, sogra, marido, se bem que naja eu utilizei um par de vezes.

No entanto, em tempos que a Tv se diz moderna,  fiquei surpresa  com a presença de   personagens construídos com base em conceitos equivocados e preconceitos. Negros são sempre pobres, ricos são sempre lindos e sorridentes, nordestinos são porteiros dos prédios, mulheres maduras são mal amadas em busca da redenção….

Para citar duas  personagens:

 

 

Sheila – a empregada da casa da Melissa : adorava a patroa, queria ser ela! Concordava com tudo, estava sempre apostos para apoiar todas as insanidades da madame, de caderneta em punho, a qualquer hora do dia e da noite. (pelo menos não foi chamada de secretária do lar, termo frequente na tv e em alguns lares brasileiros, como se chamar uma trabalhadora de empregada doméstica fosse ofensa).

 

 

Wal –  a secretária das Indústrias  Cadore, que não acrescentou nada, foi um atraso. Uma mulher de meia idade,  ( ou as secretárias são representadas por beldades ou por matronas) com tão baixa estima que só se encontrava no mundo virtual em seu computador, que suspirava pelo “chefe” tirano, (quanto mais irritado e grosseiro mais ela suspirava) e que também a qualquer hora do dia ou da noite, pronta  para atender à empresa e à família dos empregadores , enfim que não tinha vida.

 

Em novelas essas mulheres  são sempre apresentadas como cidadãs de segunda categoria! Será que em algum sucesso da TV ainda veremos uma profissional que se respeita e é respeitada, que se realiza  além do trabalho, que não se “abana” pelo patrão, que não inveja as demais mulheres da trama?

 

P.S. Alguém se lembra do nome da personagem de Rosane Goffman em Tieta?

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