Gente · Sensibilidade · Solidariedade

Feminista não é rótulo

feminista

 

Li espantada um post de uma amiga que começava assim: Eu não sou feminista nem tenho nada contra e …..

Em pleno 2016 mulheres da minha geração e suas filhas ainda acham que ser feminista é não gostar de homem ou querer ser homem!

Abram os olhos. Feminista não é rótulo, não é movimento político, não é  questão de genêro, nem de mulher feia que lê Simone de Beauvoir.E  queimar sutiã ficou no passado.

O feminismo é a consciência que somos seres humanos com direitos e obrigações iguais. Que devemos nos respeitar em todas as situações e escalas.

Ser feminista é ensinar aos filhos, principalmente aos do sexo masculino, que mulheres não são propriedade de ninguém.  E que julgamento moral contra as vitimas só fortalece o agressor.

Ensinar e dar exemplo: tarefas de limpeza e cuidado da casa é responsabilidade do casal e não serviço de mulher, que filhos devem ser educados por pai e mãe, que inteligência e capacidade não são atributos de gênero nem do sexo masculino.

É ser humano, solidária.

 

 

Geral · Planos e metas

Logomarca !!!!!

Porque cada vez que aqui em casa ouvimos a palavra “logomarca” nasce um fio de cabelo branco em uma pessoa que eu não vou dizer quem é.

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” É uma palavra praticamente inexistente no vocabulário dos profissionais do mercado publicitário, mas é usada por clientes que a confundem com a palavra logotipo. Muitos a consideram um neologismo, ou seja, uma palavra que foi inventada, abrasileirada, para a representação de uma nova forma de logotipo.

O termo é formado pela união de duas palavras: logo + marca. “Logos” vem do grego e significa significado, conceito. Marca origina-se da palavra germânica “marka” e tem o mesmo significado do termo “logo.” Sendo assim, logomarca significaria “significado do significado”, o que não faz sentido.”Leia mais aqui: http://blog.penseavanti.com.br/logo-logotipo-marca-e-logomarca-qual-a-diferenca/

Eu tenho uma marca (Ana Afonso) e tenho um logo.

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Gente · Letra & Música · Sensibilidade

Tempo de mudanças

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Filhos crescem e certamente esperamos que eles saibam cuidar das próprias vidas em certa idade.
O que se pode considerar certa idade ou a idade certa? Diferente dos hábitos e costumes americanos nossos filhos permanecem na casa dos pais durante a maior parte da vida, mesmo quando estão na faculdade. Muitos só saem ao casar, para formar um novo núcleo familiar.
Quando um filho adulto reconhece que esta na hora de cuidar de si  desejamos que ele seja feliz e isso nos deve bastar. A tal de síndrome do ninho vazio não deveria ser a sensação de não ser mais necessária. E se neste momento a sensação é de maior distanciamento, também deve ser o de perceber que é o momento de  mais liberdades e respeito à individualidade  para ambos, mães e filhos.
Os filhos têm uma vida para construir e nós mães temos muita vida para viver, mesmo em endereços diferentes, sem perda dos laços, eternos.

Quando nossos Filhos voam – Por Rubem Alves

“Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora. Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas. Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira…Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo…Existem muitos jeitos de voar. Até mesmo o voo dos filhos ocorre por etapas. O desmame, os primeiros passos, o primeiro dia na escola, a primeira dormida fora de casa, a primeira viagem…Desde o nascimento de nossos filhos temos a oportunidade de aprender sobre esse estranho movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar. Nem sempre percebemos que esses momentos tão singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício da liberdade. Mas chega um momento em que a realidade bate à porta e escancara novas verdades difíceis de encarar. É o grito da independência, a força da vida em movimento, o poder do tempo que tudo transforma.É quando nos damos conta de que nossos filhos cresceram e apesar de insistirmos em ocupar o lugar de destaque, eles sentem urgência de conquistar o mundo longe de nós. É chegado então o tempo de recolher nossas asas. Aprender a abraçar à distância, comemorar vitórias das quais não participamos diretamente, apoiar decisões que caminham para longe. Isso é amor. Muitas vezes, confundimos amor com dependência. Sentimos erroneamente que se nossos filhos voarem livres não nos amarão mais. Criamos situações desnecessárias para mostrar o quanto somos imprescindíveis. Fazemos questão de apontar alguma situação que demande um conselho ou uma orientação nossa, porque no fundo o que precisamos é sentir que ainda somos amados. Muitas vezes confundimos amor com segurança. Por excesso de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos. Impedimos que eles busquem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos. Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que impede-os de navegar nas ondas de seu próprio destino. Muitas vezes confundimos amor com apego. Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma. Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não cabem em nosso corpo os ventos da mudança. Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.Aprendo que a vida é feita de constantes mortes cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para uma nova frase. Aprendo que tudo passa menos o movimento. É nele que podemos pousar nosso descanso e nossa fé, porque ele é eterno. Aprendo que existe uma criança em mim que ao ver meus filhos crescidos, se assustam por não saber o que fazer. Mas é muito melhor ser livre do que imprescindível. Aprendo que é preciso ter coragem para voar e deixar voar. E não há estrada mais bela do que essa.”


Nota: como encontrei o texto na internet não consegui identificar em que livro ou veículo  foi publicado, nem mesmo no site oficial do autor. http://rubemalves.com.br/site/
Credito imagem Ruth Gwily
Coisas interessantes · Solidariedade · Trabalho

Projetos inacabados, procrastinação e desorganização

 

Ainda que tenha o dia a dia bastante tomado por atividades de trabalho, casa e vida pessoal, sempre estou envolvida em algum projeto de cunho terapêutico.
Foi assim quando comecei a tricotar nos anos 90, receita do Dr. Orlando para ajudar a combater o estresse e as crises frequentes de enxaqueca.
Foi assim também  há 3 anos quando comprei uma máquina de costura, montei um cantinho-ateliê e me matriculei num curso de iniciantes de costura (Rainhas da Costura ).

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Muitos cachecóis depois, algumas mantas em crochê doadas e panos de prato com barrados em patchwork presenteados para família e amigas e agora à venda na loja online Ana Afonso, ainda tenho curiosidade de seguir algumas tendências artesanais.
Ano passado comprei vários novelos do fio, a agulha específica e me joguei no aprendizado do crochê em fio de malha. Confesso que é desajeitado, pesado trabalhar com o fio e a agulha à medida que a peça vai aumentando. Conhecedora das minhas ansiedades em ver pronta e partir pra outra arrisquei uma bolsa (ok, mas ficou pesada) e uma peça redonda para usar como protetor de panela na mesa da sala.

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Confesso que não gostei do resultado do protetor de mesa e parti para um tapete redondo, mas, entre contar carreiras, aumentos, me perdia e o trabalho não saia do lugar. Resolvi dar uma trégua e partir para o projeto dois, um tapetinho retangular.
O fio de malha desta vez era de outra marca e muito inferior e irregular, cheio de emendas costuradas.  O que seria um tapete para o escritório acabou virando duas peças de cores diferentes pois foi preciso trocar um dos novelos e claro, não tinha mais igual. O tapete de fio mesclado saiu, mas sinceramente o de cor laranja…tapete laranja

Então como “artesã” com vários trabalhos em andamento e alguns projetos parados, meu home office-atelie tem diversas caixas, organizadas e identificadas (não fosse eu organizadora profissional de profissão).
Porém se há algo que me incomoda muito é esse “estoque de ideias paradas”, esse acumulo de materiais para quem sabe um dia retomar. Esta semana fiz uma operação desapego e redirecionamento, começando por desistir em definitivo daquilo que não vai sair mesmo e terminando algumas peças:
Novelos de lã e mantas em crochê: terminei a última  delas e já embalei tudo para doar no Amparo Maternal na visita deste mês.
Cachecol:  terminados os dois parados na agulha. Vão ser presenteados ou doados.
Trabalhos em fio de malha : a bolsa foi dada de presente,  o restante do novelo virou um cachepot para uma vaso feio que abriga a nossa planta da felicidade.  vaso 3

O tapete mesclado esta na frente da sapateira do quarto e o fio de malha cheio de defeitos foi para o lixo. E agora, disciplina e bom senso na escolha dos trabalhos e artes.

Gente · Trabalho

Empreendedorismo -sobre glaslighting, mansplaining

No mês de março participei de um evento promovido pelo Sebrae e a RME. Faz parte do calendário de encontros de empreendedoras, mulheres principalmente e são sempre excepcionais: palestrantes, temas abordados, entrosamento, troca de experiências.

Nesse evento que menciono havia alguns homens na plateia, empreendedores e empresários.

No palco três convidados encantavam tratando do  tema representatividade, força da mulher empreendedora quando um dos participantes faz uma pergunta-comentário:

– Na nossa empresa, quando estamos vendendo uma ideia/projeto para um potencial cliente ao mencionarmos a diretoria colocamos sempre primeiro o nome do responsável do marketing, porque se apresentamos a nossa empresa como dirigida por uma mulher não conseguimos avançar nas negociações(!!!!!!! )Por que as empresas dirigidas por homens ainda não querem negociar com mulheres, como quebrar essa resistência ?

A resposta dos palestrantes foi na direção de que não enfrentavam essa situação, desconheciam e desencorajavam essa prática (obviamente a resposta poderia ter sido mais complexa mas não haveria tempo).

Fiquei extremamente desconfortável, tanto pelo representante dessa empresa adotar essa prática e pela diretora aceitá-la. E para além, dele admitir essa prática sem pudor.

A minha redenção veio ao final desse painel quando uma participante da plateia pediu a palavra e fez uma colocação obvia e matadora, dirigindo-se ao participante:

– Você questionou como evitar que os clientes só queiram negociar com  homens. Eu digo que só há um caminho: pare de adotar essa estratégia! Não apresente sua empresa dessa forma, escondendo a mulher por trás de um homem!

Temos muito caminho a percorrer, ainda que pareça que estamos juntos, ainda sofremos com todo tipo de preconceito, inclusive empresarial.

Leia sobre o título aqui: O machismo também mora nos detalhes

 

Agatha Christie · Comentários · Letra & Música

O romance policial de Agatha Christie – o destino dos assassinos

 

Apaixonada por livros de mistério, pelos romances policiais de Agatha Christie desde os tempos do Clube do Livro, tive a oportunidade de assistir ao curso ministrado na ECA – Escola de Comunicações e Artes, em 2015, para o qual escrevi o texto abaixo:

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O DESTINO DOS ASSASSINOS NOS ROMANCES DE AGATHA CRHISTIE: punição e castigo.

 

Introdução

Apesar de não ser da aristocracia, Agatha Christie, educada no período Eduardiano e vivendo na Inglaterra pós-vitoriana de estrutura social rígida e estreitos valores morais reflete esses mesmos valores nos seus romances: seus detetives mais do que desvendar o crime chegam a estabelecer punições para criminosos pertencentes a essa mesma sociedade aristocrática, que visem não abalar a estrutura social, onde o importante é a valorização da nobreza e do sobrenome e restabeleçam a ordem das coisas antes do assassinato para que a vida volte ao normal.

Os criminosos raramente pertenciam ao pessoal doméstico, sendo geralmente aristocratas, nobres ou profissionais de relevância na sociedade, como médicos, oficiais do exército, que devido à rígida moral da época, não poderiam fugir à punição ainda que moral.

Alguns dos destinos dos assassinos, no entanto não eram a detenção, a exposição à sociedade. O suicídio foi uma das saídas mais honrosas encontradas nos romances de Agatha Christie, abaixo comentados.

Desenvolvimento

É correto que uma pessoa cometa um assassinato e escape da condenação pela Justiça do Estado? Em alguns dos romances policiais de Agatha Christie o assassino é protegido e acobertado por alguém que toma o seu lugar, confessando ou até mesmo impedindo que o crime ou sua identidade sejam revelados. Em outros, são levados à autopunição, tirando a própria vida.

O Assassinato de Roger Ackroyd (1925)

O detetive Hercule Poirot conta com a ajuda do Doutor Sheppard (personagem narrador da história) para solucionar o mistério do assassinato de Roger Ackroyd, morto em sua biblioteca com uma adaga, para impedi-lo de descobrir quem chantageara a Sra. Ferrrars, com quem pretendia se casar, a ponto de fazê-la cometer suicídio.

No capítulo 23 Poirot começa a arrumar o palco para a reunião com os envolvidos onde o mistério será revelado e o assassino desmascarado. Dr Sheppard é sutilmente questionado sobre suas impressões, sua participação e até a importância de seus registros, que a exemplo do Cap. Hastings, ele mantinha durante a investigação ao lado de Poirot.

Criada a tensão e terminada a reunião, Poirot conduz o Dr Sheppard ao final honroso, que é o suicídio, dando a ele tempo para finalizar seus registros antes de comunicar ao inspetor Raglan.

Nota-se que toda a tensão da descoberta, da ação da polícia, da prisão, do julgamento, da exposição pública fica assim minimizada, já que o assassino, morto pelas próprias mãos já teria sido punido.

A Casa Torta (1948)

Aristide Leonides morre por uma injeção letal e a suspeita recai sobre a jovem viúva, muitos anos mais nova que o marido.

As investigações são conduzidas pelo inspetor Taverner que tem como coadjuvante o narrador, Charles Hayward, amigo de Sophia Leonides, neta de Aristide.

Josephine, neta mais nova de Aristide, acompanhando em paralelo as investigações segue revelando “segredos” e indicando “pistas”. Outra morte acontece (a Babá) e Josephine é considerada o alvo do assassinato por envenenamento e Charles decide protege-la.  Buscando ser o centro das atenções anota em um caderninho preto suas ações e é esse caderno encontrado que revela a verdadeira mente perturbada da menina, a assassina.

A cunhada de Leonides, Edith de Haviland, suspeitando e finalmente descobrindo a verdade sobre Josephine, assume a culpa. Deixa dois envelopes na casa: uma carta para o inspetor Taverner onde confessa ter matado o cunhado e um segundo envelope endereçado a Charles com o caderninho preto de Josephine onde na primeira página se lê: Hoje matei meu avô.

Provocando um acidente de carro Edith morre ao lado da sobrinha, que assim privada da vida não terá que prestar contas à justiça terrena e nem será condenada a um futuro de isolamento em entidades de saúde e sanatórios por longos anos.

 Poirot perde uma cliente (1937)

Num fim de semana em que a família da Srta. Arundell está reunida na propriedade acontece um estranho acidente em que ela cai da escada no meio da noite. Todos culpam seu cachorro Bob que teria deixado uma bola no alto da escada.

Ela sobrevive e passa a suspeitar que esteja em perigo e escreve a Poirot. Quando dois meses depois ele recebe a carta, a Srta. Arundell já está morta e aparentemente de causas naturais.

Poirot passa a investigar e descobre que a queda foi a primeira tentativa de assassinato que deu errado e fez o assassino agir novamente.

Todos são suspeitos, as duas sobrinhas, o sobrinho, o marido estrangeiro da sobrinha e a governanta, mas friamente Poirot conduz o encerramento do caso, convencendo e orientando pessoalmente a culpada – Sra. Anabela Tanios ao fim honroso do suicídio, aqui tomado como overdose acidental.

Sem exposição, sem escândalo para a sociedade, para poupar aos filhos e ao marido a verdade.

Assassinato no Expresso Oriente (1933)

Numa viagem do Expresso do Oriente um dos passageiros, Mr. Ratchett, é encontrado morto com múltiplas facadas. Como não havia possibilidade do assassino ter deixado o trem todos são suspeitos. Hercule Poirot assume a investigação e  desvenda a trama ao  descobrir a verdadeira identidade de Ratchett, um criminoso responsável pela morte de uma criança da família Armstrong.

Assim, conforme os padrões éticos e morais dos passageiros e do próprio Poirot, o assassinato de Ratchett é aceitável. Quando o crime for hediondo e pelo menos 12 pessoas, o mesmo número de jurados num tribunal,  concordarem  que  o acusado é o criminoso, então é aceitável condená-lo à morte  ou matá-lo. Poirot e os personagens do romance tomam a morte de Ratchett como justa.

Um passe de mágica (1952)

Quando Miss Marple  reencontra Ruth (Miss Marple e as irmãs Ruth e Carrie Louise são amigas  desde os tempos do colégio ) e esta compartilha seus temores de que  Carrie estaria correndo perigo na mansão da família,  que agora abriga um centro de reabilitação para jovens delinquentes, decide ajudar.

Quando mortes acontecem em Stonygates é Miss Marple com sua perspicácia e astúcia quem vai juntando as peças e evita que sua amiga seja a próxima vítima.

Lewis Serracold, o atual marido de Carrie Louise na administração do centro de reabilitação manipulava os fundos tendo como cumplice seu filho Edgar Lawson, que comete os crimes de assassinato.

E no fim Lewis Serracold sacrifica a própria vida pelo filho, num desenlace que poderia ser considerado acidente por afogamento e que o livra da exposição à sociedade.

 

Conclusão

Nas investigações o objetivo maior dos detetives é sempre descobrir a verdade e que através dela a justiça seja feita, o culpado condenado e a vitima. A ordem estaria então restituída e a vida voltaria à normalidade

E como a lei poderia ser burlada e o criminoso se safar da condenação se tivesse conexões e dinheiro, entram em cena os valores morais e éticos da autora e é valido o recurso da punição e castigo ainda que não conduzidos por um júri e juiz.

USP Escola de Comunicações e Artes

Departamento de Jornalismo e Editoração
Disciplina: CJE-0650 – O Romance policial de Agatha Christie
Prof. Jean Pierre Chauvin
Aluno-ouvinte: Ana Maria Afonso
Novembro 2015

 

 

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Casa Arrumada

Desde quem em 2010 foi equivocadamente, num programa de TV esse texto foi apresentado como de Drumond ninguém pôs em dúvida.

Não, este poema não é de Carlos Drumond de Andrade e sim de Lena Gino.

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Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida…

Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.

Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.

Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto…

Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.

Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.